Quando se analisam os critérios de avaliação de qualidade de vida, desenvolvimento urbano e respeito ao meio ambiente — presentes em quase todos os indicadores nacionais que qualificam cidades e sua população — a coleta, tratamento e distribuição de água, assim como a existência e abrangência da rede de esgoto e o manejo dos resíduos, são elementos de alta relevância.
Em Cerejeiras, houve avanços indiscutíveis nos últimos dez anos em diversos aspectos que permitem avaliar as condições de vida da população. No entanto, o município sempre apresentou problemas relevantes e evidentes no que diz respeito à coleta, tratamento e distribuição de água. Até hoje, lamentavelmente, boa parte da cidade não possui rede de distribuição implantada. A captação é considerada antiquada e praticamente não existe tratamento adequado segundo critérios técnicos. Em tempos recentes, a cidade enfrentou uma severa crise hídrica que alarmou a população e exigiu medidas emergenciais. Apesar disso, nada foi feito para evitar a repetição daquela situação. O tema já foi abordado em artigos do Notícias de Cerejeiras, desde a época do saudoso Rildo Costa, que tinha grande sensibilidade para questões sociais, até reportagens mais recentes.
Situação semelhante ocorre com a rede de esgoto. Embora Cerejeiras possua cobertura em quase 98% da zona urbana, nunca houve discussão sobre projetos para ampliar esse percentual ao restante da cidade. Vale lembrar que novos loteamentos são obrigados a instalar redes de água e esgoto.
O sistema de água de Cerejeiras continua sob responsabilidade da Caerd, empresa estadual que há muitos anos não prioriza o município. A companhia não investe, não mantém estrutura adequada, carece de servidores suficientes e não oferece atendimento eficaz. Muitos problemas só são parcialmente resolvidos graças ao empenho pessoal de alguns funcionários. A Caerd acumula dívidas há anos, não possui política de expansão e apresenta baixo desempenho em todas as localidades onde atua. Porto Velho, por exemplo, foi recentemente apontada pela terceira vez como a capital com o pior sistema de fornecimento e tratamento de água e esgoto do Brasil.
Diante desse cenário, o Governo de Rondônia decidiu privatizar a Caerd, reconhecendo sua situação precária. No entanto, as empresas interessadas exigem que o Estado assuma o enorme passivo da companhia. Em Cerejeiras, houve tentativa de concessão dos serviços, com uma empresa vencedora, mas o processo foi impugnado e levado à Justiça. A decisão confirmou que não havia vícios na licitação, mas até hoje nada foi implementado. Agora, o município corre o risco de ser incluído em um pacote de privatização estadual, sem poder escolher a empresa que melhor atenderia às suas necessidades.
Um dos argumentos contrários à privatização era o baixo valor previsto para investimentos anuais — R$ 3 milhões — considerado insuficiente para modernização e manutenção do sistema. No entanto, já se passaram dois anos sem qualquer investimento, e a situação tende a se prolongar. Não houve debate público sobre o tema, mas é certo que, caso falte água nas casas, surgirão discursos de autoridades alegando preocupação com o bem-estar da população e com alternativas para melhorar a captação, distribuição e tratamento.




