Quem ouve ou canta a bela letra do Hino de Cerejeiras dificilmente imagina quem foi o autor capaz de retratar, de maneira tão singela e ao mesmo tempo poética, as belezas, as riquezas e as potencialidades da cidade e de sua região. A trajetória de Antônio Cândido da Silva confunde-se com parte da própria história de Rondônia, tornando sua obra significativa e relevante para a cultura e a memória do estado.

Nascido em 5 de novembro de 1941, nasceu no Igarapé dos Botos, na região de Humaitá, Amazonas, Antônio Cândido é filho de Artur Elpídio da Silva e Raimunda Cândida da Silva. Ainda jovem, mudou-se para Rondônia, por volta da década de 1960, período em que iniciou sua vida profissional na histórica Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Posteriormente, aprovado em concurso público, passou a integrar o quadro de funcionários do Banco da Amazônia S.A., instituição que desempenhou papel fundamental no financiamento e custeio das atividades seringalistas, dos primeiros empreendimentos econômicos do estado e, mais tarde, na expansão da cacauicultura, da heveicultura e da cafeicultura em Rondônia. O banco também foi importante no apoio às primeiras levas de migrantes que chegaram ao então novo estado no final da década de 1970 e início dos anos 1980.

Antônio Cândido permaneceu no Banco da Amazônia até 1990, quando se aposentou e passou a dedicar-se com maior intensidade às atividades rurais e culturais. Formado em Letras pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), em Porto Velho, sempre manteve estreita ligação com a escrita, a pesquisa histórica e a produção literária.

Profundo conhecedor da história de Porto Velho e de Rondônia, conhecimento adquirido não apenas por meio de estudos e informações documentais, mas também por ter participado de importantes momentos da formação do estado e convivido com muitos de seus protagonistas, Antônio Cândido construiu uma obra marcada pelo compromisso com a memória regional.

Entre seus livros destacam-se “Madeira-Mamoré: O Vagão dos Esquecidos”, “Enganos de Nossa História”, em que promove correções de equívocos decorrentes de versões não comprovadas da história de Porto Velho, e “Os Kostakusseis”.

Na poesia, publicou as obras “Passarela de Emoções” e “Da Janela por Onde o Tempo Passa”, reafirmando sua sensibilidade literária e seu olhar atento para as emoções humanas e as transformações do tempo.

Membro da Academia de Letras de Rondônia, Antônio Cândido já recebeu inúmeras homenagens, menções honrosas e títulos de reconhecimento. Entre eles, destaca-se o título de Amigo de Cerejeiras, concedido pela Câmara Municipal de Cerejeiras.

Sua contribuição para a cultura rondoniense vai além da literatura. Antônio Cândido é autor dos hinos dos municípios de Cerejeiras, Costa Marques e Jaru. Também foi vencedor dos concursos de criação das bandeiras dos municípios de Porto Velho e Costa Marques, deixando igualmente sua marca nos símbolos cívicos do estado.

Na letra do Hino de Cerejeiras, o autor enaltece o espírito pioneiro dos migrantes vindos de todas as regiões do Brasil. Homens e mulheres que enfrentaram a mata fechada e, com trabalho, coragem e sacrifício, construíram uma cidade próspera. O hino destaca a riqueza da terra, somada à visão e à determinação de seus fundadores, características que permitiram assegurar o futuro das novas gerações e transformar a região em uma das áreas de significativo desenvolvimento de Rondônia.

A um escritor, poeta, pesquisador e apaixonado por Rondônia como Antônio Cândido da Silva, as homenagens não devem ficar restritas à memória futura. Elas precisam ser realizadas enquanto ele continua desfrutando de plena lucidez e vigor, permitindo que as novas gerações conheçam e reconheçam sua contribuição para a cultura e a história do estado.

Nesse sentido, seria oportuno que, por ocasião da inauguração do Teatro de Cerejeiras, Antônio Cândido fosse convidado para uma apresentação de sua obra literária e cultural. Seria uma justa homenagem e uma oportunidade para aproximá-lo da comunidade que tão bem celebrou em versos, eternizando sua história e suas conquistas no hino municipal.

Letra do Hino de Cerejeiras

Tua história é forjada na bravura
No destemor do nobre bandeirante.
Na solidão sem fim dos seringais
E a fibra indomável do migrante.

Na campina verdejante da fazenda
Foi a escola o berço promissor,
Onde o projeto dividiu a terra
Com justiça ao bravo lavrador.

Cerejeiras,
Onde o campo plantado
É mais verde e bonito,
Com o fruto da terra
Vicejando no vale
E abraçando o infinito.

E tens hoje a epopéia do migrante
A construir em ti um mundo novo,
Traçando sobre a Terra o teu futuro
E o feliz destino de teu povo.

A nobreza que há na selva da Amazônia
Onde teu nome o povo foi buscar.
Na união do povo brasileiro
Que escolheu em ti viver e amar.

Cerejeiras,
Onde o campo plantado
É mais verde e bonito,
Com o fruto da terra
Vicejando no vale
E abraçando o infinito.

Link da gravação: Hino de Cerejeiras

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