Quando uma nova administração municipal se inicia, é natural que promessas e metas de campanha sejam vistas como desafios a serem enfrentados. Espera-se progresso, geração de empregos e melhores condições de vida para a população. No entanto, em Cerejeiras, o tempo passa e algumas oportunidades continuam sendo apenas promessas.
A região possui um potencial extraordinário de expansão agrícola — mais de 100 mil hectares ainda podem ser incorporados à produção. Isso representaria uma verdadeira revolução econômica. Mas esse avanço esbarra em gargalos logísticos, falta de infraestrutura adequada e, principalmente, ausência de um sistema eficiente de armazenagem.

É verdade que a zona rural de Cerejeiras é servida por uma das melhores malhas viárias de Rondônia, com estradas trafegáveis e pontes de concreto substituindo as antigas de madeira. Ainda assim, há trechos, como na região dos campos, que permanecem em situação de quase isolamento. Esses pontos merecem atenção especial da administração municipal.
O crescimento das áreas plantadas e a diversificação das atividades produtivas são frutos da coragem e dedicação dos produtores locais, que investem tempo, recursos e energia. Mas não se pode ignorar que o papel do Estado é essencial — e deve ser cobrado. Os secretários municipais precisam oferecer incentivos e orientação técnica, seja na produção de grãos, café, leite, mel, suínos, ovinos ou aves.
Mais do que isso, é urgente que os gestores busquem empresas interessadas em se instalar na região. A produção já existente e o potencial futuro são atrativos reais. Um frigorífico de aves ou suínos, por exemplo, poderia transformar a economia local, aproveitando a produção de grãos e gerando empregos. Mas isso exige ação: é preciso convidar, negociar, apresentar o potencial — não esperar que empresários descubram Cerejeiras por acaso.
A disputa por investimentos é acirrada. E, neste momento, temos um cenário favorável: a instalação da usina de etanol de milho já está em andamento, com apoio financeiro robusto e linhas de crédito disponíveis. Mesmo assim, não se vê a movimentação necessária para atrair novos empreendimentos. Onde está a articulação política e institucional para mostrar aos empresários o panorama de oportunidades?
Esse trabalho não é fácil, mas precisa ser persistente e contínuo. A instalação de empresas exige empenho, propaganda oficial, estímulo — não apenas pensando na economia, mas também no conforto e na comodidade dos produtores e investidores.
Um exemplo emblemático é a unidade da John Deere, que já possui projeto aprovado e um grande volume de máquinas vendidas na região. Por que ainda não foi instalada? Falta cobrança dos produtores? Falta iniciativa da administração? O tempo passa, e sem ação, nada acontece.

O saudoso Rildo Costa já alertava neste mesmo site sobre a urgência de um ponto de coleta de embalagens de defensivos agrícolas em Cerejeiras. É inadmissível que os produtores ainda precisem levar esses resíduos até Vilhena, quando a responsabilidade pelo recolhimento é das lojas que vendem os produtos. Foram feitas inúmeras reuniões, mas tudo ficou apenas no discurso.
Cerejeiras tem força, tem produção, tem potencial. O que falta é atitude. Que até o fim deste ano possamos, enfim, comemorar boas notícias — e não apenas esperar por elas.
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