Chupinguaia, uma região com grande potencial agrícola em Rondônia, enfrenta um desafio que parece não ter fim: o isolamento e a falta de infraestrutura adequada. Apesar de alertas recorrentes e diagnósticos claros sobre os problemas, as soluções para os entraves ao desenvolvimento continuam escassas.

A promessa da Rodovia 487
Em anos distintos, o jornalista Rildo Costa apontou uma solução que poderia mudar o panorama da região: a abertura da Rodovia 487 (Relembre artigo em GAZETA de Rondônia). O projeto sugeria um trajeto mais curto, reto e com menos subidas entre Cerejeiras e Chupinguaia. Segundo ele, a nova rota não apenas tiraria Chupinguaia da condição de “fim de linha,” mas também a transformaria em um trajeto preferencial para quem se dirige a Cerejeiras, Pimenteiras e Corumbiara. Além disso, a rodovia permitiria uma expansão significativa da área de plantio, alavancando o potencial agrícola da região.
No entanto, décadas depois, o cenário pouco mudou. Nem mesmo estudos técnicos foram realizados para viabilizar o projeto, deixando produtores e moradores da região à mercê de estradas precárias e longas distâncias.
Impactos no setor agrícola
O setor primário, motor da economia de Rondônia, sofre diretamente com a falta de infraestrutura. O escoamento da produção agrícola e leiteira enfrenta constantes dificuldades. A precariedade das estradas, agravada pela qualidade do solo e pelo descaso público, torna o transporte de grãos, milho e soja um desafio diário. “Este ano foi trágico para os produtores,” relata um agricultor local, destacando as dificuldades enfrentadas até mesmo por veículos leves em estradas vicinais.
Chupinguaia tem visto uma expansão significativa das áreas plantadas, especialmente nas direções de Corumbiara e Cerejeiras. Hoje, o município já ultrapassou Vilhena em área agrícola e se aproxima de Corumbiara e Pimenteiras do Oeste, os maiores polos de produção de milho e soja de Rondônia. No entanto, esse crescimento é contido pela falta de investimentos em infraestrutura rodoviária, que poderia reduzir custos de frete e facilitar o transporte até Porto Velho.
O clamor por ação
As comunidades rurais e assentamentos localizados ao longo do trajeto entre Cerejeiras e Chupinguaia também sentem os impactos da negligência estatal. A produção leiteira, importante fonte de renda para muitos moradores, foi severamente prejudicada. “É uma luta diária,” afirma um morador, ressaltando o sofrimento imposto por estradas praticamente intransitáveis.
Com as eleições se aproximando, é esperado que novas promessas sejam feitas por candidatos, mas a população já não se deixa convencer tão facilmente. “As palavras não bastam. Precisamos de ações,” declara outro morador indignado.
Enquanto o Estado persiste em adiar as soluções, o progresso da região é contido, prejudicando não só os produtores rurais, mas também toda a população que depende da agricultura como base econômica. A urgência por obras e investimentos em infraestrutura é uma pauta que não pode mais ser ignorada.
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